| REPRODUÇÕES |  |  | "Matadores de vampiras lésbicas"" |  |
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| Adoradores de imagens, preparai vossas carteirinhas falsas: a micareta dos filmes já começou. Até 8 de outubro, cinéfilos, colunáveis e leitores de sites de jornalismo cultural se entocarão em salas escuras por toda a Cidade Maravilhosa, na maior orgia cinematográfica da América Latina. Filas homéricas e idéias avant-garde serão formadas, e toneladas de pipoca serão consumidas durante a exibição dos mais de 300 filmes de 60 países inscritos no Festival do Rio. Estarão presentes por aqui figurões cultuados como Ang Lee, Tarantino, Almodóvar, Soderbergh, Varda e Herzog, entre outros eminentes que prometem monopolizar as bilheterias e a atenção da mídia pelas próximas duas semanas. Mas você não quer ver esses filmes, isso não é material para o leitor do Palma. Para atender aos anseios do espectador mais judicioso, reunimos um grupo de críticos de cinema sem qualquer expertise na área, porém munidos de diplomas de Comunicação Social e elaboramos o guia que irá iluminar os recônditos mais escuros da sua programação oficial. Lapidada por critérios normalmente desprezados pela imprensa especializada, como criatividade do título, nudez frontal feminina e risco-país de origem, a seleção que o leitor encontra abaixo reúne as grandes apostas do Palma para este Festival. Não saia de casa por nada mais. Algumas obras simplesmente se impõem pelo título, como o eloquente "Bom dia, meu nome é Sheila ou Como trabalhar em telemarketing e ganhar um vale-coxinha", o terror dos letreiros analógicos. Também fazem parte deste grupo "Matadores de vampiras lésbicas" e "Sexo, quiabo e manteiga com sal". Qualquer tentativa de sinopse só pode diminuir a experiência do filme. Mike Tyson e os justiceiros de colarinho branco
|  |  | "Tyson": um filme porradeiro |  |
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| Ainda no gênero pancadaria, sangue, suor e lágrimas, não poderiam estar conjugados de forma mais harmoniosa como em "Tyson", sobre a vida do sujeito mais porradeiro do esporte mais violento do mundo: da infância pobre e sofrida à aposentadoria pobre e sofrida. É como seria "Rocky”, se Adrien fosse uma prostituta e Balboa, mal-assessorado. Não ficção. Enquanto a Guerra do Vietnã foi por muito tempo fonte inesgotável de produções do cinema norte-americano, a crise mundial do mercado de capitais mal começou a dar seus frutos. "Os yes men consertam o mundo" é dessa safra. Justiceiros de colarinho branco se infiltram em festas de grandes corporações para desmascarar e humilhar publicamente CEOs irresponsáveis e empresários inescrupulosos. Cenas fortes de vazamento de informação e tripas do sistema expostas. Os anos 90 viram os nerds se consolidando como grandes realizadores. Herdeiro desta geração, "Além do jogo" parece já nascido fadado a clássico da sessão da tarde. Neste épico, a rivalidade entre os dois maiores jogadores do mundo de Warcraft (o cultuado jogo de estratégias) será posta à toda prova no campeonato mundial que se aproxima. Paralelamente, conheça a história de Madfrog, ídolo mundial que, para o alívio de seus pais (e isto está frisado na sinopse), acabou se aposentando. A vida imita a arte no americano "Em busca do paraíso", que entra pelo quesito verossimilhança. Uma velha casa noturna cujos dias de glória já se foram sobrevive às custas de uns poucos remanescentes, alguns artistas, desajustados e prostitutas. Foi filmado em 70, mas os rolos ficaram perdidos por 35 anos até o filme ser finalizado, em 2009, e lançado no Rio fortuitamente durante o canto do cisne da discoteca Help. Black dynamite: todos os clichês num filme só
O argumento de "A town called panic" parece uma tentativa de comunicação cifrada altamente sofisticada sob a fachada de uma sinopse de cinema. É o tipo de texto em que cada palavra merecia estar adornada por aspas cautelares: "Cavalo" "cortejava" a "professora" de "piano" da cidade, mas suas "investidas" são "interrompidas" quando seus "amigos" ("Caubói" e "Índio") "soterram" sua "casa” tentando "construir" uma "churrasqueira" de "presente de aniversário" e um grupo de "bizarras criaturas marinhas" começa a "roubar" os "tijolos" do "imóvel". Baseado nos quadrinhos do Fontanarosa – espécie de Angeli portenho – "Boogie, el aceitoso" (o título traduzido inexplicavelmente amputou o predicado de Boogie) é um sujeito frio, sádico e machista que sequestra a mulher de outro profissional ao se ver contestado no posto de maior assassino de aluguel da cidade. Mas ele cai numa cilada ainda pior do que o crime: o amor. Para fechar a lista, a maior aposta do Palma para esta edição do Festival. "Black dynamite" (trailer abaixo) é um verdadeiro campeão de strings de busca no Google: "kung fu", "armas", "belas mulheres", "penteado black power", "máfia italiana", "heroína em orfanatos negros", "pinga adulterada" e "ruas banhadas de sangue" são só as promessas citadas explicitamente. Dados os ingredientes, consideramos que qualquer construção de nexo narrativo é supérflua e deve ser encarada como um bônus.
Dez filmes, senhores, que provavelmente deixarão o circuito sem deixar rastros daqui a 15 dias. Monte sua grade e aproveite, depois nos conte como foi.
SERVIÇO: Confira os horários dos flimes aqui Veja o trailer de "Black dynamite":
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