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A virgem do ... doce
Todos conhecem a preferência nacional. Ela abunda, literalmente, nas bancas de jornais, nos chats, nos filmes pornôs... Mas por que aparece tão pouco na nossa literatura?
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Pega o barbudo!
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artes
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Um precioso depoimento deste craque do musical brasileiro, responsável, com seu parceiro Claudio Botelho, por grandes encenações como Gipsy, O Despertar da Primavera, Beatles num Céu de Diamantes e A Noviça Rebelde
Almanaque
Chifronésia ficou viúva
21/09/2007
BERNARDO MELLO FRANCO
REPRODUÇÕES
BANCADA. Ao lado de Elke Maravilha
A vida é um processo de regressão, caminhando para o fim, cada passo é um empurrão. Assim filosofou dom Pedro de Lara, o rabugento mais querido da tevê brasileira, que no último dia 13 juntou-se a José Fernandes e Aracy de Almeida na sociedade dos jurados mortos. A frase foi publicada no
Livro da Sabedoria
, lançado pelo humorista em 1999. Era mais uma tentativa de sobreviver à decadência dos programas de auditório - um símbolo do vídeo em preto-e-branco, cada vez mais fora de sintonia na era da TV digital.
Ranzinza, intolerante e moralista, Pedro de Lara encarnou por três décadas o jurado turrão, que esculhambava os aspirantes a artista e menosprezava as "colegas de trabalho" na platéia. Burilou o personagem na
Buzina do Chacrinha
e o imortalizou no
Show de Calouros
de Sílvio Santos, onde dividia a bancada com ex-famosos como Sônia Lima, Flor e Décio Piccinini - aquele engravatado sorridente, tão sumido que não foi localizado nem para comentar a morte do colega. Lírios brancos em punho, que descrevia como símbolo da pureza da família brasileira, Pedro repetia o número do reacionário à exaustão, numa paródia involuntária da velha TFP. E era sempre engraçado.
O cafajeste que fazia as feministas rirem
NO MICROFONE. Vaia era garantida
"Esse jazz é uma dança selvagem e não devia existir na face da Terra", esbraveja o jurado, numa
performance
típica resgatada pelo YouTube. Seguindo o script à risca, o patrão SS argumenta que o jurado está ultrapassado e não compreende a arte moderna. "Moderna pra essas leigas aqui da platéia, que não sabem de nada", rebate Pedro, aumentando o volume das vaias.
O visual tosco - cabeleira desgrenhada, gravata borboleta e bigode de motoqueiro - emprestava charme a outra face do personagem: o machão convicto. Diante das câmeras, os galanteios à moda antiga se alternavam com referências à mulher, Meg de Lara, como Chifronésia. O desalinho entre imagem e discurso era tão grande que até a patrulha feminista se permitia rir.
E,
no universo paralelo da pornochanchada,
rendeu
papéis ao comediante
em produções como
As taradas atacam
(1978) e
Emoções sexuais de um cavalo
(1986).
Dublê de psicólogo, astrólogo e vidente
LÍRIOS. Flores na TV e no caixão
Pernambucano de Bom Conselho, o ex-vendedor de cocada Pedro de Lara
começou a carreira artística no início da década de 60. Treinou a lábia e a cara-de-pau famosas interpretando sonhos das ouvintes de Haroldo de Andrade na Rádio Globo. Quando a tevê lhe fechou as portas, nos anos 90, voltou às origens ao se reinventar como astrólogo nas revistas
Amiga
e
Sétimo céu
.
Popular entre crianças de várias gerações, o comediante gostava de alimentar o próprio mito. Apresentava-se como primo de Lampião e repetia frases como "Quando Pedro de Lara quebra um espelho, os cacos têm sete anos de azar". Com a expressão séria de sempre, gabava-se de ter "profetizado" os atentados terroristas de 11 de Setembro no livro
A porta proibida
, de 1995. Mas o cunho da obra era outro: o elogio da moral e o ataque a tudo o que classificava como pederastia e vulgaridade.
Antes do câncer na próstata, o jurado carrancudo ainda defendia uns trocados fazendo o papel de si mesmo em clubes e feiras de cidades do interior. Raramente reaparecia na telinha, como atração trash, em programas como o
Pânico na TV
. Pedro morreu aos 82 anos, no subúrbio carioca de Irajá. Foi enterrado no Cemitério do Caju
, na outra ponta da Avenida Brasil, com os característicos lírios brancos sobre o caixão. Depois de repetir frases de efeito e duplo sentido para exaltar a memória do ex-colega, a inimitável Elke Maravilha deu sossego aos repórteres para puxar o coro: "Pedro de Lara-ra lalalalá lalá..."
Assista: Pedro de Lara entrevista Xuxa no
Show de Calouros
(
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